Permacultura | Permaculture
  • Permacultura no Fazendo Gênero 2017

    Publicado em 30/08/2017 às 09:42

    As participantes debatendo sobre os princípios da permacultura.

    Durante o 11° Fazendo Gênero e a 13ª edição Women’s Worlds Congress sediados na UFSC, foi realizado o minicurso “Introdução a Permacultura”, que versou sobre a ótica ecofeminista e teve a facilitação de Iana Carla Couto e Marcos Montysuma. Utilizando como base suas pesquisas sobre o ecofeminismo, Iana apresentou as conexões e potencial de utilização da permacultura como uma “ferramenta” de ação ecofeminista. Assim, as participantes do minicurso aprenderam sobre a origem, organização e princípios da permacultura e do ecofeminismo. Dentro de uma metodologia participativa de compartilhamento do conhecimento, as participantes também foram convidadas a falar de suas experiências e potenciais para agregação de todas as questões debatidas em suas vidas, tanto pessoal quanto profissional.

    O minicurso contou com a participação de pessoas das mais variadas regiões do Brasil, também diferentes orientações sexuais e identidade de gênero. Como resultado Iana comenta: “Esse minicurso possibilitou demonstrar a versatilidade e amplitude da Permacultura, bem como a importância dos princípios de agregar, ao invés de segregar, valorizar a diversidade, entre outros.”


  • PDC para academia

    Publicado em 23/07/2017 às 21:32

    Turma de colegas novos permacultores. Suzana, Jorge (instrutores), Luiz Gustavo, Willian, André, Erick, Marcelo (inst.), Arthur (coord.), Ariane, Marírlia (Pedro), Leonardo, Maria Helena, Filipe, Renata, Marcelo, Luana, Manuela, Júlia (inst.) e Rosilene.

    O NEPerma concluiu na última sexta o primeiro curso de planejamento em permacultura (PDC), voltado para professores e servidores técnicos de apoio ao ensino de instituições de ensino superior.

    Um total de 14 novos permacultores foram certificados pelo professor permacultor Arthur Nanni, que coordenou a equipe de permacultores constituída por Marcelo Venturi, Arno Blankensteyn, Lucas Espírito Santo, Renata Palandri, Yasmin Monteiro, Jorge Timmermann, Suzana Maringoni e Júlia Lahm. O curso contou ainda com a participação do médico César Siomionato e suporte de logística do permacultor Pedro Buss.

    O objetivo inicial desse curso era estabelecer uma rede interna à UFSC de professores que simpatizam com a permacultura. Porém, devido a procura de colegas de outras instituições de ensino superior, o curso passou a atender também esse público, como foi o caso do professora Manuela Pereira, da UFFS. Além dela, o curso contou também com professores da UFVJM, UFOP, IFSP e UNIPAMPA.

    Participantes na prática de reconhecimento de zonas energéticas no Sítio Igatu em São Pedro de Alcântara. Foto: Rosilene Pereira.

    Num total de 80 horas de duração, o curso possibilitou mostrar aos colegas os fundamentos científicos, a lógica e aplicabilidade da permacultura para a formação de pessoas plenas. O projeto final de planejamento em permacultura desenvolvido pelos participantes, envolveu a definição de um currículo ideal para formação de permacultores em nível de graduação e o projeto de um espaço universitário para abrigar um futuro curso de graduação em Permacultura na UFSC, pensado na forma de um elemento, que incluiu a análise de necessidades, características e funções de tal curso de graduação.

    Dentre os resultados do curso pode-se destacar a criação de uma rede brasileira de Núcleos de Estudos em Permacultura, sendo o NEPerma/UFSC o encarregado de sua articulação e a decisão de criação de um periódico científico.

    Por fim, a equipe do NEPerma/UFSC decidiu ofertar um curso de PDC a cada dois anos. Dessa forma, está previsto para julho de 2019 uma nova edição a ser ancorada por Marcelo Venturi.


  • Permacultura 2017/2

    Publicado em 22/07/2017 às 11:48

    O Permacultor Jorge e a estudante Susana reconhecendo abelhas silvestres na atividade campo em Anitápolis-SC, .

    Em 2017/2 haverá mais um edição da disciplina Introdução à permacultura, que possui o mesmo currículo e carga horária de um Curso de Planejamento Permacultural (Permaculture Design Course – PDC). As aulas ocorrerão nas tardes das TERÇAS.

    Neste período de ajuste de matrículas procure pelo código GCN7938 – Introdução à permacultura e efetive sua matrícula, mesmo que o sistema acuse “sem vagas”.

    Os encontros ocorrerão nas tardes das terças-feiras na sala 311 do CFH, iniciando no dia 8 de agosto. Um total de 8 vagas adicionais serão definidas ao final do segundo encontro (2ª semana). Aluno da UFSC deve efetivar sua matrícula na disciplina e comparecer nos dois primeiros encontros para acompanhar a definição do preenchimento das vagas. Para pessoas externas à UFSC, compareça nos dois primeiros encontros que são abertos à todos e acompanhe o preenchimento de vagas. Se sobrarem vagas, haverá sorteio para ingresso de pessoas sem vínculo institucional com a UFSC.

    Acesso aos conteúdos desse semestre (fecha em fevereiro de 2018)

    FORÇA JORGINHO!


  • GCN7938 – aviso de correção de matrículas 2017/2

    Publicado em 20/07/2017 às 19:55

    Vimos por meio dessa informar que, em decorrência de um erro de digitação por parte da administração, a disciplina GCN7938 foi aberta para matrículas no CAGR com mais vagas que o tradicionalmente disponibilizado (12).

    A disciplina é ofertada desde 2012 pelo Núcleo de Estudos em Permacultura, com prioridade de matrícula para os cursos de geografia e ciências biológicas, que a possuem oficialmente em suas grades curriculares. A pedagogia utilizada na disciplina permite apenas esse pequeno número de estudantes em sala de aula e nas atividades de campo previstas.

    Dessa forma, abaixo são relacionados os alunos efetivamente matriculados (12) e aqueles que estão em lista de suplência para esta primeira fase de matrículas. A esses alunos suplentes e demais interessados informamos que é necessária a participação nas duas primeiras aulas, para aumentar as chances de efetivação da matrícula. A primeira aula ocorrerá no dia 8 de agosto às 13:30h. A sala de aula ainda será definida e logo será informada no site www.permacultura.ufsc.br.

    Informamos ainda que maiores esclarecimentos podem ser obtidos pelo e-mail

    Matrícula Alunos matriculados
    Curso
    15101790 Bianca Pereira de Souza GEOGRAFIA
    13101997 Luiz Paulo Ferreira GEOGRAFIA
    14106709 Olga Martins Freitas Rosa GEOGRAFIA
    15103515 Wandernilson Santos do Amaral GEOGRAFIA
    14201663 Alexandre Mendonça Scheidt GEOGRAFIA (noturno)
    16203002 Amanda Alves Vita GEOGRAFIA (noturno)
    13201597 Camangui José Agnellino GEOGRAFIA (noturno)
    13201606 Gabriel Fabbro GEOGRAFIA (noturno)
    11201644 Jonathan da Cunha Santos Wagner GEOGRAFIA (noturno)
    15201396 Mariana Rodrigues Alvares GEOGRAFIA (noturno)
    13201627 Tiago Santanna Lenz GEOGRAFIA (noturno)
    16103476 Larissa Redivo dos Santos CIÊNCIAS BIOLÓGICAS – Licenciatura
      SUPLENTES por ordem de classificação CURSO
    13104246 Fabricio Gastaldi ARTES CÊNICAS
    11101878 Maria Paula Vieira PSICOLOGIA
    15201254 Cibele Silva Marques PSICOLOGIA
    15150077 Ana Júlia Marques Infante HISTÓRIA
    12203875 Jonas Ribeiro Alves PSICOLOGIA
    13101929 Murilo Eduardo Hubert FILOSOFIA
    15150725 Maria Isabel Grullón Hernández DESIGN
    15200432 Dominique Hotzel Ruther ENGENHARIA ELÉTRICA
    13103766 João Pedro Fernandes Borges DESIGN
    13102024 Kely Paula Salvi OCEANOGRAFIA
    15101386 Rafael Zerbini de Carvalho Martins CIÊNCIAS ECONÔMICAS
    15201612 Jonas de Castro e Carvalho DESIGN
    11104088 Priscila Carlon ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL
    16200948 Natalia Fernandes Aurelio ADMINISTRAÇÃO
    12103802 Luiza Pacheco Fernandes OCEANOGRAFIA
    14106458 Angelica Medeiros da Rosa CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE ALIMENTOS
    16202540 Francisco Ianzer Machado ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL
    16150687 Gabriela Grossklaus RELAÇÕES INTERNACIONAIS
    14101562 João Pedro Rodrigues Morciani CIÊNCIAS ECONÔMICAS
    13106490 Andrea Viana Faustino RELAÇÕES INTERNACIONAIS
    16104317 Antonio Pereira da Silva Junior LETRAS – ESPANHOL
    17100051 Maria Eduarda Beal Furtado QUÍMICA – Bacharelado

     


  • Certificada a 11ª turma de permacultores

    Publicado em 04/07/2017 às 13:56

    Novos permacultores: Vinícius, Bernardo, Henrique, Danillo, Caroline, Elisa, Susana, Juceli, Grazianne, João Vitor, Lara, Larissa e Joice. Marcos Isao e Felipe ficaram fora da foto.

    No semestre de 2017/1 o NEPerma certifica mais 15 permacultores que passaram pelo Curso de Planejamento em Permacultura (PDC), oferecido através da disciplina GCN7938 – introdução à permacultura.

    Os novos permacultores tiveram a oportunidade de cursar às 90h de ensinamentos e trocas de conhecimentos, que foram coordenadas pelo permacultor e Prof. Arno Blankensteyn e teve a participação de mais 12 permacultores instrutores.

    No segundo semestre de 2017 ocorrerá a 12ª edição da disciplina nas tardes das terças-feiras. Se você tem interesse em cursar o PDC, na próxima matrícula que se inicia dia 7 de julho, procure pelo código GCN7938 e matricule-se mesmo que o sistema acuse não haverem vagas. Fique de olho no site www.permacultura.ufsc.br, que informações acerca de vagas adicionais serão divulgadas.

    Incentivamos todos os interessados que busquem conquistar uma vaga nessa próxima turma. É o que muitos alunos de diversos cursos têm feito ao longo das edições anteriores. Essa que se encerrou agora contou com a presença de alunos de 8 diferentes cursos.

    Ao final dessa jornada perguntamos aos alunos da turma “O que é permacultura para você após passar pela experiência de um PDC?”. Veja alguns depoimentos desses novos permacultores.

    Larissa (Psicologia)
    Gratidão à todos os professores, que com tanto carinho e dedicação conduziram essa disciplina tão transformadora.

    Lara (Arquitetura)
    Para mim a permacultura é o caminho alternativo à todos os problemas sociais, econômicos e ambientais que vivenciamos hoje. Ela apareceu para mim através de uma não identificação com a minha visão do que é Arquitetura, surgiu como uma escapatória e esperança de saber que existia um caminho contrário àquilo que nos é imposto e de um dia poder colocar em prática as coisas que acredito e continuar em busca de melhorias sistêmicas, em busca da priorização da vida em harmonia com a natureza e com as pessoas à partir de trocas, observação, imersão, criatividade, e buscando sempre oportunidades nas dificuldades.
    Me abriu a visão sobre as coisas através da interdisciplinaridade dos conhecimentos e mostrou que a autossuficiência contra o sistema é possível.
    Escolhi a UFSC para realizar o programa de mobilidade acadêmica por causa desta matéria, e termino o curso com uma imensa gratidão por essa oportunidade que eu tive, por todos os conhecimentos e por todas as pessoas que passaram ao longo do curso e que eu tive o prazer de conhecer.

    Danillo (Geografia)
    Permacultura na minha opinião é uma cultura de vida, um modo de pensar e ver o mundo pensando no bem-estar do planeta, do próximo e de nós mesmos. Através de observação e interação, ensina que devemos pensar e planejar nossas ações, antes que elas prejudiquem tudo em nossa volta. Nos faz refletir diferente do modo capitalista em qual estamos inseridos, ressaltando o auto sustento como objetivo principal de nossa jornada na Terra, e que a busca pelo acumulo de capital, difundido pelo atual sistema, só traz prejuízos para nossa espécie e para o planeta em qual vivemos.

    Tentando aproveitar nossas experiências, ensina que a principal solução para os problemas é a análise da situação e a interatividade com o meio, as vezes soluções pequenas podem trazer maiores resultados e benefícios do que soluções rápidas e imediatas, o que também sugere que não devemos ficar presos a um tempo de relógio e sim termos nosso próprio tempo e esperar o tempo do meio em que nos cerca.

    Juceli (Psicologia)
    Fazer Permacultura é se dedicar a ética com todas as formas de vida. É negar a redução do conhecimento a teoria e, assim, não mutilar os saberes. É descer do pedestal imaginário ao qual nós seres humanos arrogantemente nos colocamos e, por fim, compreender a beleza da nossa eterna codependência com o universo que [reciprocamente] nos constitui.

    Bernardo (Geografia)
    De modo bem resumido, Permacultura é um diálogo profundo e consciente entre o velho e o novo, o ancestral e o jovem, o primitivo e o moderno. É a síntese criativa e inteligente de múltiplos conhecimentos e saberes humanos, com o objetivo essencial de otimizar tanto nossa permanência no planeta quanto nossa a interação com os outros animais, com as plantas e com o ambiente, a partir de práticas agroecológicas e sustentáveis, respeitando as dinâmicas e os ciclos naturais e, assim, obtendo energia e recursos renováveis de boa qualidade e melhorando a saúde, a vitalidade e o bem-estar dos seres vivos e dos ecossistemas na Terra.
    É um suspiro em meio ao caos urbano e à degradação ambiental. É um chamado para a ação!


  • Permacultura no XXX SEDEGEO da UFRGS

    Publicado em 02/06/2017 às 17:04

    Na busca por respostas sobre como os conhecimentos geológicos podem ser aplicados a outras ciências, no caso a permacultura, alunos do curso de Geologia e de outros cursos da UFRGS, puderam saber e entender mais sobre a Permacultura, através da palestra “O que é permacultura?”, proferida durante a XXX Semana de Debates Geológicos.

    Com o intuito de levar esta informação de forma mais clara possível, o Prof. Arthur além apresentar a palestra, levou também aos estudantes um breve vídeo onde Igor Pavezi, estudante de geologia da UFSC e permacultor, faz uma conexão entre o conhecimento geológico e a permacultura em sua rotina de vida junto ao Sítio Abirú em Paulo Lopes – SC.

    Igor cursou permacultura em 2014 na UFSC e começou a praticar permacultura quando passou a manejar a área do sítio Abirú em 2016. Outros alunos de geologia também passaram pelo Curso de Planejamento em Permacultura oferecido pelo NEPerma e seguem aplicando sua lógica na gestão de recursos naturais em nível profissional.

     

     


  • Permacultura na Pós-Graduação de Ecologia

    Publicado em 25/05/2017 às 13:46

    O Programa de Pós-Graduação em Ecologia da UFSC promoveu no último dia 22, a palestra “O que é Permacultura?”, que foi apresentada por Arthur Nanni em representação ao Núcleo de Estudos em Permacultura da UFSC.

    O programa de Pós-graduação em Ecologia da UFSC oferece sempre às segundas-feiras palestras sobre temas diversos e amplos que tenham interface com a ecologia. Os temas são variados e são convidados pesquisadores de diferentes instituições, inclusive de instituições estrangeiras em visita ao Brasil.

    Segundo a Profa. Bárbara Segal “a ideia de trazer a permacultura para os pesquisadores é enriquecer o conhecimento e ampliar a visão da atuação profissional para os pós-graduandos”.

     


  • Professores de Joinville recebem a permacultura

    Publicado em 25/05/2017 às 13:29

    Palestra no campus da UFSC em Joinville.

    No dia 18 de maio, a palestra “O que é permacultura?” foi apresentada para um grupo de professores da rede municipal, estadual e particular do ensino fundamental e médio da região de Joinville.

    A atividade foi uma solicitação da professora Andréa Pfützenreuter e também, uma  iniciativa vinculada ao Curso de Especialização em Ciência e Tecnologia do Departamento das Engenharias da Mobilidade. Segundo Andréa “quando soubermos o real sentido do cuidar, promoveremos uma educação de consciência com o uso eficiente da tecnologia”. Dentro desse contexto, a permacultura possibilita um melhor entendimento sobre o nosso papel enquanto espécie para estabelecer relações harmoniosas com o ambiente que nos abriga, utilizando tecnologias sociais e de baixo impacto.

    Após a palestra, os professores debateram sobre a importância de se ter a permacultura como via para ensinar educação ambiental nos currículos das escolas, pois ela possibilita com que o tema, por se tratar de uma linha de pensamento transversal aos demais ensinamentos, possa ser incorporado à vida dos educandos.


  • Permacultura e Educação Ambiental no Bosque do CFH/UFSC

    Publicado em 11/05/2017 às 22:23

    Iniciaram-se hoje as atividades semanais do Projeto Permacultura e Educação Ambiental no Bosque do CFH/UFSC. Estas atividades serão uma excelente oportunidade para práticas e troca de saberes sobre permacultura, agroecologia, sistemas agroflorestais e educação ambiental. Os participantes poderão conhecer as ações já realizadas para a recuperação ambiental do Bosque do CFH, conhecer os princípios e práticas da permacultura, implantar e manejar sistemas agroflorestais agroecológicos, aprender sobre bioconstrução com uso de terras e bambu, entre outros temas.

    Quando? Todas as quintas-feiras, a partir das 14:30h.

    Onde? no Bosque do CFH, próximo ao Planetário da UFSC.

    Todas as atividades são gratuitas e abertas à comunidade!

    O que sugerimos levar: sementes para plantar, roupa adequada para colocar a mão na terra (idealmente calça, camiseta manga longa, calçado fechado), luvas, facão (se quiser), repelente e proteção solar.

    O projeto dispõe de ferramentas e carrinhos de mão.

    Em caso de chuva não teremos atividade no dia.

    Confira algumas fotos de atividades anteriores no Bosque

    I Oficina de Agrofloresta Agroecológica – outubro de 2016

    I Oficina de Bioconstrução: o bambu como material de construção – outubro de 2016


  • O controverso terceiro princípio ético da permacultura

    Publicado em 15/04/2017 às 17:49

    A permacultura tem três princípios éticos e vários princípios de planejamento, que pelo cocriador da permacultura, David Holmgrenseriam em 12 e que nos ensinam o que deve ser percebido e estimulado ao se planejar um ambiente humano visando sua permanência, durabilidade.

    Os princípios éticos da permacultura seriam  1. Cuidar da terra, 2. Cuidar das pessoas, e 3. Compartilhar excedentes (inclusive conhecimentos), sendo esse último também chamado de Partilha justa e/ou Limites ao crescimento e ao consumo ou Cuidar do Futuro[4] OU ???. Esses 3 princípios éticos em alguns momentos já foram considerados em quantidade de quatro, justamente pelas polêmicas relacionadas ao terceiro princípio. Então aqui traduzimos um artigo, escrito por Tobias Long, que trata justamente desse polêmico terceiro princípio ético da permacultura e assim criamos uma oportunidade de se aprofundar no conhecimento da ética permacultural.

    O controverso terceiro princípio ético da permacultura

    por Tobias Long, tradução de Marcelo Venturi – Neperma, do artigo original postado em 6 de abril de 2017 pela World Wide Permaculture.

    O coração da permacultura é enraizado na adesão na filosofia dos seus três princípios éticos. Os dois primeiros, Cuidar da Terra e Cuidar das Pessoas, têm sido amplamente aceitos pela comunidade pelo que eles são – simples e lógicos. A terceira ética, no entanto, tem sido objeto de debates[1] entre os praticantes de permacultura por muitos anos.

    De fato, a discussão em curso sobre as várias interpretações desta terceira ética pode oferecer alguma explicação sobre por que a filosofia da permacultura não se tornou um conceito mais popular – apesar de ter sido abraçada por comunidades e profissionais em todo o mundo.

    Limites e equidade

    Inicialmente, a terceira ética foi introduzida como “Estabelecer Limites à População e ao Consumo“, mas tem sido expressa em uma ampla variedade de maneiras diferentes desde então: “Partilha Justa” (Fair Share), “Limitar o Uso de Recursos e População“, “Compartilhar Excedentes” [inclusive conhecimentos] e “Viver com Limites“. Embora exista, obviamente, uma sobreposição entre essas expressões, a ideia de que a terceira ética é um pouco aberta à interpretação deixa um pouco de interrogação quanto à aplicação desses princípios no design da permacultura.

    O significado por trás da terceira ética, de acordo com o Permaculture Designer’s Manual escrito por Bill Mollison, é a teoria de que “ao governar nossas próprias necessidades, podemos definir recursos à parte para focar os princípios anteriores”, referindo-se às duas éticas anteriores da permacultura. No entanto, quando a frase é abreviada apenas para a ideia de “estabelecer limites para a população”, pode levar a mal-entendidos – particularmente por militantes da justiça social, que levantaram preocupações em torno de genocídio e eugenia que poderiam ser falsamente encontrados nessa frase.

    Na década de 1980, o pioneiro da permacultura dinamarquesa, Tony Andersen, reformulou a terceira ética como “Partilha Justa” (Fair Share), em um esforço para evitar qualquer discussão sobre esses conhecimentos controversos. Mas enquanto esta frase simples soa agradável quando combinada com as duas outras éticas, deixa para fora uma das ideias principais atrás deste terceiro princípio ético – o conceito de projetar dentro dos limites.

    População vs Uso de Recursos

    Os ecologistas definem a “capacidade de carga” como o tamanho da população que um ambiente pode sustentar durante um período de tempo, levando em consideração os vários recursos disponíveis nesse ambiente. Quando a quantidade de recursos requerida por uma espécie for igual à quantidade de recursos disponíveis, a capacidade de de carga é atingida. Se a população continuar a aumentar e a quantidade de recursos não, a natureza corrige o desequilíbrio, garantindo que as taxas de mortalidade subam acima das taxas de natalidade – deixando a população de volta abaixo da capacidade de carga.

    Este é o desafio apresentado pela terceira ética da permacultura – viver dentro dos limites, para manter nossa população global e o uso de recursos sob a capacidade de carga. À medida que a nossa população aumenta, haverá obviamente menos recursos disponíveis para cada indivíduo. A permacultura tenta usar o planejamento sustentável para determinar um uso médio dos recursos que pode ser mantido por um longo período de tempo, o que é parte da teoria por trás dessa terceira ética controversa.

    À medida que uma escassez global de alimentos surge como resultado do impacto negativo da mudança climática sobre as safras, a ideia de capacidade de carga e de viver dentro dos limites torna-se ainda mais necessária. No entanto, o maior problema que enfrenta o nosso planeta não é necessariamente uma crescente população nos países menos desenvolvidos, mas sim o excesso de consumo das populações ocidentais o que mais contribui para o nosso desequilíbrio no uso dos recursos.

    Esta terceira ética tenta abordar esta questão, confrontando uma das partes mais feias da natureza humana: a ganância. É esta ganância que nos leva a acumular recursos muito além do que poderíamos usar – mesmo enquanto os outros lutam para prover o suficiente para si ou para suas famílias. Isso não só é errado, como é insustentável no longo prazo.

    Permacultura e Socialismo

    Parte dessa terceira ética significa entender que a permacultura inclui a ideia de que as necessidades básicas de todos devem ser atendidas – incentivando a justiça não apenas entre os humanos, mas também entre a humanidade e outras espécies. Mas mesmo essa interpretação está sujeita à visão de mundo de um indivíduo. Pessoas com tendências mais socialistas ou comunistas poderiam levar esta ideia a dizer que “se você fizer mais do que você precisa, você deve dar a outros – incluindo aqueles que não fizeram nada para ganhá-lo“.

    Embora o altruísmo seja certamente encorajado, a história mostrou que os conceitos governantes do socialismo e do comunismo foram insustentáveis. A interação desta ética como um dos princípios motrizes da permacultura pode explicar em parte por que a filosofia não tem sido mais amplamente abraçada – ela promove o pensamento de que, para praticar a permacultura da maneira como Mollison e o cofundador David Holmgren pretendiam, eles deveriam dar todos os seus pertences e viver em uma comuna com outros permacultores.

    Esta ideia foi mesmo levada um passo adiante, teorizando que qualquer um dos excedentes produzidos através do planejamento em permacultura deve ser compartilhado – incluindo o conhecimento. Em vez de aceitar pagamentos por ensinar, consultar ou escrever, essas informações devem ser distribuídas gratuitamente. É uma boa ideia, mas é difícil convencer as pessoas a colocar sua energia e recursos em um projeto onde as recompensas serão compartilhadas com pessoas que não fizeram nada para ganhá-los.

    Permacultura não é socialismo[2]. Os praticantes não são obrigados a viver em uma comuna, trabalhando de graça e dando o seu excedente. Permacultura não impede você de ganhar uma vida decente – na verdade, permacultura pode trazer aos praticantes todos os tipos de benefícios, incluindo financeiros. Mas enquanto esta crença [na necessidade dependente do dinheiro] continuar a permear a sociedade dominante, será difícil para os permacultores trazerem esta ciência para as massas.

    Andando em frente

    Em vez disso, esta terceira ética controversa deve agir como uma luz orientadora para ajudar os indivíduos a examinarem seu uso de recursos com mais cuidado – atentos para reduzir seu consumo e enfrentar o desafio social de compartilhar não só o excedente, mas também o trabalho e a produção. Permacultura é sobre comunidade, sobre resiliência e sobre sustentabilidade.

    Mais pessoas estão começando a adotar o conceito “Retorno do Excedente” como a expressão da terceira ética[3], o que pode estar mais de acordo com o significado original desse princípio. Em vez de criar desperdício, permacultores são incentivados a devolver o excesso de volta para onde ele veio. Isso pode se aplicar em um sentido ambiental através de práticas como cortar e soltar ou permitir que o produto amadurecido para decompor e fertilizar o solo.

    Mas o conceito também se aplica a outros aspectos da permacultura, incluindo seu investimento de tempo, trabalho e recursos. Retornos sobre esses investimentos, financeiros ou de outro tipo, podem ser direcionados e colocados de volta em sua prática de permacultura – garantindo sustentabilidade e resiliência.

    Quando aplicadas à prática da permacultura, essas éticas devem ser usadas para orientar o tipo de planejamento estratégico que nos ajudará a trabalhar em direção a um futuro onde não nos preocupamos apenas com nós mesmos, mas também com outras populações humanas e não humanas e até com a própria Terra.

    Para Saber Mais Sobre

    World Wide Permaculture e Permacultura UFSC

    Facebook: https://www.facebook.com/worldwidepermaculture/ e
    https://www.facebook.com/groups/Permacultura.UFSC/

    Publicação original: http://worldwidepermaculture.com/controversial-third-ethic-permaculture/

    Republicada também em: http://permaculturenews.org/2017/04/13/controversial-third-ethic-permaculture/

    Notas do tradutor

    [também entre colchetes ao longo do texto]:

    [1] Assim como é comum ocorrer com todas as polêmicas que envolvem a simplificação das definições das ciências humanas. Os dois primeiros princípios éticos remetem, indiretamente, às questões ambientais e sociais, e este terceiro remeteria à sustentabilidade “econômica” real, e não àquela defendida pelo mercado através do falacioso tripé da sustentabilidade (social, ambiental e econômica), como é bem questionado por Ignacy Sachs, Carlos Walter Porto-Gonçalves e outros autores.

    [2] Permacultura sem dúvida não é socialismo nem comunismo, muito menos capitalismo – já que esse se baseia na competição e num crescimento infinito. Eu acredito que como uma lógica ambiental e social assim proposta, ela seja muito mais próxima de um cooperativismo, ou um terceiro caminho ainda mais equilibrado e que remete ao anarquismo, sempre consciente, talvez com uma certa influência de Kropotkin, com sua “Ajuda mútua”, e outros autores e que seria uma ecologia social aplicada de forma consciente a direcionar a sociedade às relações ecológicas positivas, como é o mutualismo.

    [3] Eu particularmente, quando ministro as aulas referentes aos princípios apresento o primeiro princípio – Cuidar da Terra, como o principal e que poderia se bastar por si. Historicamente o Bill também fala isso: que bastaria a permacultura ter uma única ética – Cuidar da Terra. Mas como o ser humano é egoísta e deturparia isso achando que precisamos cuidar das plantas e animais, da natureza e por isso excluir e explorar as pessoas, é preciso salientar que dentro desta primeira ética existe uma segunda: Cuidar das Pessoas. Ainda sob esta lógica pode-se dizer que, por exemplo: dar emprego para as pessoas é cuidar delas, que dar oportunidade de trabalharem em suas terras também se está cuidando, ou que aumentarmos a população e consequentemente o consumo é uma forma de cuidar delas, mas como isso vai de encontro ao limite de crescimento do planeta, apresentado pelo Clube de Roma e em outras, devemos deixar muito claro no terceiro princípio como fazer para Cuidar da Terra e das Pessoas, através desses limites de crescimento e de consumo e da partilha do excedentes, inclusive conhecimentos.
    Então em relação ao terceiro sempre apresento pelo menos duas formas: Partilha Justa – que é o que está descrito nas figuras de David Holmgren e por isso utilizo desta forma – e Compartilhar excedentes, inclusive conhecimentos que é uma forma que simpatizo por considerar a expressão mais compreensível. A expressão em inglês Fair share, apesar de literalmente significar partilha justa, as vezes me remete a outro uso não tão libertário mas mais capitalista que é o comércio justo ou mercado justo. Mas isso é apenas uma questão de interpretação minha e não seu significado real. E a expressão Retorno do excedente não sei se em português repassa tão bem o que quer dizer este princípio e que não seja dito pelo Compartilhar excedentes, mas por outro lado apresenta uma questão bem mais ambiental que é a questão do deixar o que é da natureza lá, caso não seja usado e assim abre realmente uma nova interpretação e ação pra maioria dos permacultores, numa visão bem mais preservacionista que conservacionista. Este seria nosso papel? Será que precisamos tanto assim? Vale a reflexão. Isto é, mesmo com este texto explicando bem as questões ao redor deste terceiro princípio ético creio que ainda não chegaremos a um consenso.

    [4] Cuidar do Futuro (fonte: Delvin Solkinson. Gaiacraft Permaculture Design Core Curriculum Notes, 2017.):
    Originalmente, Bill Mollison caracterizou o terceiro princípio como uma ética diferente, mas relacionada à atual: “Estabelecer Limites para População e Consumo” e “Gerar Excedentes e Reinvestir no Cuidado de Pessoas e Cuidados com a Terra”. Na virada do milênio, foi descrito como “Fair Share” (Partilha justa), resumindo a essência das articulações anteriores. A Escola Africana de Permacultura descreve isso como “Cuidados futuros”. Todos os seres vivos têm o mesmo valor inerente e o direito de viver uma vida saudável, incluindo as gerações vindouras. Gere uma abundância e compartilhe os recursos da Terra de forma generosa e equitativa com todas as coisas. Nossa missão é investir toda a inteligência de capital e boa vontade e trabalho para o Cuidado da Terra e o Cuidado de Pessoas. O questionamento sobre esta proposta se dá na medida que sob o ponto de vista capitalista empresas e o mercado sempre tem pregado que “cuidam do seu futuro”, como a revolução verde prometia acabar com a fome do mundo nos anos 1960 e 70 do século passado. Um viés mais nobre talvez seja manter fielmente as palavras dos criadores (apenas traduzidas) e utilizarmos os argumentos que considerarmos mais didáticos em nossas explicações durante os PDCs.